Os contos tradicionais ganham existência no acontecimento do contar, do ouvir, do participar. Caracterizam-se pela interdisciplinaridade, integrando a música (a musicalidade das palavras) e o movimento, implicando todo o corpo e mente do contador e os seus recursos expressivos como a voz, o gesto ou o olhar. Por não serem necessariamente lineares ou óbvios, provocam a inteligência do ouvinte, apelam à imaginação, ou seja, à capacidade de pensar por imagens. O contador envolve-se em descrições enérgicas que entram pelos olhos dos ouvintes e ganham vida nas suas cabeças.


Contar histórias nos dias de hoje implica aprender em contextos mais formais o que antes se aprendia informalmente. Outros contextos de aprendizagem abrem espaço para explorações em novos territórios, como a relação entre os contos tradicionais e outras áreas de expressão. Implica, no entanto, continuar a acreditar na comunidade e no outro que nos ouve e significa o envolvimento pessoal do contador, transformando o conto na sua história, reflectindo as suas vivências. Assim, ao contador cabe alimentar a memória, recriar a tradição, aprofundar o saber, desenvolver a experiência e a acção.


Deste modo propõe-se aos participantes neste workshop o desenvolvimento de técnicas de comunicação baseadas no princípio de interacção com o ouvinte, entendido como co-autor da história. Ser-se original não significa necessariamente criar novas histórias, mas criar interacções particulares entre uma memória e um público, num determinado espaço e tempo. Renovando assim o sentimento do irrepetível, tantas vezes anunciado nos contos que se inicial com Era uma vez…



Público_ adulto: pais, educadores, professores, animadores, artistas e outros interessados. Grupo de 20 pessoas, no máximo.

Duração_ 3 horas, havendo a possibilidade de se desenvolverem acções com outras durações.

Espaço_ amplo com mesas, cadeiras e espaço livre. Adaptável.